Pular para o conteúdo principal

Análise: proteção contra discriminação ou imposição?

Duas artistas americanas foram ameaçadas de prisão por declinarem uma encomenda para um casamento entre pessoas do mesmo sexo

Patricia Lages/R7

Breanna Koski e Joanna Duka
Breanna Koski e Joanna Duka/Reprodução/Fox News

Talvez você jamais ouvisse falar sobre as americanas Joanna Duka e Breanna Koski não fosse a polêmica que as envolve desde 2016, quando declinaram uma encomenda de trabalho. Ambas são proprietárias da Brush and Nib, uma pequena empresa de caligrafia em Phoenix, capital do Arizona.


Há cerca de três anos, Duka e Koski optaram por não atender uma encomenda de convites manuscritos para uma cerimônia de casamento entre pessoas do mesmo sexo. A decisão das artistas foi tomada com base em suas convicções religiosas, mas, o que era para ser apenas mais um dia de trabalho acabou indo parar na justiça.

As sócias foram acusadas de discriminação e, caso fossem consideradas culpadas, poderiam receber uma pena de seis meses de prisão, mais multa de US$ 2500 (cerca de R$ 10 mil) por dia de violação da lei. Uma decisão de primeira instância favoreceu a acusação, mas as artistas recorreram e a Suprema Corte do Arizona reverteu o caso em favor de ambas. 
O que chama atenção nesse caso — bem como em um episódio anterior onde um confeiteiro do Colorado também se viu às voltas com a Justiça por não criar um bolo para um casamento homossexual — é a tentativa de imposição de execução de um trabalho autoral. Isso porque, considerando a natureza da atividade de Duka, que é calígrafa, e de Koski, que é pintora, elas teriam de empregar seus talentos artísticos em prol de uma cerimônia que contraria sua fé.
Não se trata da negação arbitrária da venda de produtos industrializados que se encontram nas prateleiras de um estabelecimento — o que, obviamente, configuraria discriminação — mas sim, de um produto de manufatura autoral que envolve intimamente o artista que trabalha em sua criação.
As questões que ficam são: será que estamos construindo uma sociedade mais justa ou caminhamos para um Fla-Flu onde quem grita mais alto leva o que quer? Será que queremos viver em uma sociedade cujo governo tenha o poder de impor o que devemos ou não fazer? Queremos que haja leis que não respeitem nossas decisões pessoais e que as caracterize como discriminação e, portanto, crime? 
E mais: seria coerente a qualquer comunidade que prega a liberdade de expressão querer impor sua vontade à força e obrigar um profissional a contrariar suas próprias convicções? Seria correto criminalizar a negativa de um artista quando este não se sente à vontade para empregar seus talentos a serviço de algo que não o representa?
A meu ver, a palavra imposição está mais para ditadura do que para liberdade. Você decide.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

POLÍTICA SOCIAL Vergonha para os baianos: dos 100 piores municípios para se viver em todo país, quase metade desses estão no estado da Bahia

Foto: Jucuruçu, no extremo sul da Bahia, é citado na lista Quatro em cada dez cidades brasileiras consideradas as piores para se viver ficam na Bahia. A informação é baseada em um relatório divulgado anualmente pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que considera um índice similar ao IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, que avalia longevidade, educação e renda da população) da Organização das Nações Unidas. O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) acompanha o desenvolvimento socioeconômico de todos os mais de 5 mil municípios brasileiros também em três áreas de atuação: emprego e renda, educação e saúde. O índice varia de 0 (mínimo) a 1 ponto (máximo) e quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento da localidade. De acordo com os dados da Firjan, 55,2% do total das cidades possuem desenvolvimento moderado, e 1,9% (106 cidades) estão com baixo desenvolvimento, ou seja, abaixo de 0,4. Apenas 332 cidades (6% do total) possuem alto d

Mais um que apoia o Partido das Trevas: Pastor Daniel Elias da Assembleia de Deus vira garoto propaganda do PT para atrair evangélicos

O pastor é uma das armas do PT para se infiltrar nas igrejas evangélicas Pastor Daniel Elias (Reprodução) A nova estratégia do PT (Partido dos Trabalhadores), para ter um melhor desempenho nas eleições municipais de 2020, é a aproximação dos evangélicos. A pedido do ex-presidente Lula, o partido está criando núcleos evangélicos nos estados para tentar conquistar a classe evangélica que já provou que pode fazer a diferença nas urnas. Uma das armas do PT para se infiltrar nas igrejas é o pastor da Assembleia de Deus de Duque de Caxias RJ, Daniel Elias. O líder religioso é militante do PT e discípulo fiel de Lula. Há um ano ele virou notícia em todo país quando viajou até Curitiba, no Paraná, para realizar um ato profético em favor do ex-presidente que estava preso na carceragem da Polícia Federal (PF). Daniel Elias, de 38 anos, ungiu o cadeado do portão da sede da PF. O pastor admite que a articulação enfrenta dificuldades.  “O grupo ligado à direita chegou primeiro

Quem são os 7 pastores mais respeitados do Mundo; Saiba agora

Não é uma tarefa tão fácil escolher entre tantos o 7 pastores mais respeitados do Brasil. Com certeza alguém poderá ficar de fora, outra questão é escolher entre as tantas linhas religiosas que existem Não é uma tarefa tão fácil escolher entre tantos o 7 pastores mais respeitados do Brasil. Com certeza alguém poderá ficar de fora, outra questão é escolher entre as tantas linhas religiosas que existem. Outra pergunta é: Ele é tão bom, se é! Por que é? Ou é escolhido bom apenas pela sua fama? Muitas vezes o bom é aquele que contraria as multidões, mas o bom pode também estar entre as multidões, “Não devemos esquecer que por se tratar da Palavra de Deus, o discurso do pregador deve ser embasado nas Escrituras sempre” então fica ai minha dica e junto também uma de suas mensagem. No VÍDEO abaixo você vai conferir os nomes dos pastores que o Brasil inteiro conhece. São pastores de grandes ministérios que contem números altos de fieis sobre a presença de Deus. Hoje nas