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A Calúnia


A calúnia é a arma dos covardes, dos pobres de hombridade, dos faltos de coragem moral e espiritual, para a luta pela verdade e na conquista do pão e posição no meio social em que vivem.
O difamador, irmão legítimo do caluniador, tem seus olhos voltados contra todos os que têm coragem para a luta e alcançaram vitória pelo poder de Deus e força de vontade.
A calúnia tem sua base na inveja, e vive como um sapo nojento no lamaçal: tem horror a águia que singra os ares com suas formidáveis asas.
A inveja se manifestou pela primeira vez no Éden; o espírito decaído viu como viviam felizes os seres que Deus criara; o homem e sua mulher dominavam tudo; deu nome a tudo quanto Deus havia feito; era o rei das coisas criadas.
O Inimigo não podia suportar tanto; para ele, o bem estar de outrem era uma grande afronta, uma vez que ele já tinha estado naquela glória. Preparou então um meio de prejudicar tudo, e assim foi. A mentira foi sua arma de guerra: “Não é assim que Deus disse”.
A astúcia do “Pai da mentira” foi aceita como verdade e tudo ruiu.
Desde então a grande “Besta”, a calúnia, tem se servido dos covarde invejosos, como seus aliados. O Diabo, o mundo e a carne não têm cessado de trabalhar para arruinar os que procuram viver honestamente servindo a: Senhor; os mais esforçados na obra de Deus, os que levam o Evangelho de poder a muitos lugares, têm sido as principais vítimas dos caluniadores.
Os invejosos, servindo-se das menores fraquezas dos abnegados ser de Deus, lançam as maiores infâmias contra a dignidade e honra, par: los ridicularizados.
Costuma-se dizer que um caluniador é mais vil do que a baba do sapo e mais odiado que o homicida; este, matando, só rouba a vida; o caluniador rouba a honra que vale mais que a vida finita.
No tempo da antiga República Romana, marcava-se com um ferro em brasa a testa do caluniador, com a letra K. Vicente de Paulo foi vítima de calúnia e sofreu anos de cadeia; só muito tempo depois foi provada sua inocência e posto em liberdade.
Torquato Tasso, poeta italiano que viveu entre 1544-1595, foi vítima da calúnia de invejosos de suas obras e morreu na pobreza.
Apeles, o maior pintor grego, que viveu no século 4 aC, foi vítima da perfídia do caluniador invejoso de sua arte.
Apeles, depois de sofrer a tremenda punição que o caluniador lhe ur­diu, pintou o famoso quadro A calúnia, onde se vê, no centro, a calúnia, uma mulher de olhos piedosos, envolta em um manto, com um facho na mão direita, ateando o fogo da discórdia; atrás, a vítima atada com cordas de cabeça baixa marchando para a penitenciária.
Esse quadro de Apeles o imortalizou, e tornou-se obra prima da antiguidade.
Meus amigos, não é possível falar de José do Egito, Cristo, os Apósto­los e tantos outros que sofreram até a morte em consequência da calúnia.
Aqui me limito apenas com estes ligeiros comentários, cujo fim é advertir meus irmãos e amigos do mal que o espírito de calúnia, inveja e difamação tem feito e pode fazer.
Têm surgido no meio do povo de Deus pessoas que se intitulam douto­res e bons pregadores, com lisonja engodam os corações dos simples e, quando o têm dominado, caluniam e difamam aqueles a quem invejam e desejam atirar ao ridículo, para se apossarem de sua obra ou do trabalho feito em nome do Senhor.
Por esta causa devemos ter bem vivas na memória as palavras de Paulo: “…porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, pre­sunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores…”, 2Tm 3.2-3.
Em Tito 3-2 se lê “Que a ninguém infame“; esta advertência é para evitar entrar no trabalho homens vaidosos que desejam subir derrubando os outros por meio de infâmias e calúnias. Romanos 13.7 diz que devemos dar honra, pagar impostos ao governo etc. Honrar os outros é muito diferente de difa­mar espalhando escândalos contra os seus companheiros de trabalho, às vezes informados por inimigos que desejam fazer mal a tal pessoa e à obra de Deus, e os vaidosos doutores se servem das falsas informações e se atiram ao triste trabalho de difamar julgando assim ganhar boa posição.
Para finalizar, aconselho-o a ler o hino 564 do sempre lembrado Sal­mos e Hinos, o qual é uma resposta aos caluniadores e um incentivo para não temer o inimigo falaz.
Oxalá, possamos fazer como esse hino diz, fazer a vontade do Senhor, vivermos em completa harmonia com a vontade de Deus.
Os que se dão ao triste trabalho de difamar os outros com o objetivo de crescer não terão bom fim, porque tem de se cumprir a Palavra de Deus: “Os homens maus e enganadores irão de mal a pior enganando e sendo enganados”.
O Senhor virá muito breve e, então, iremos com Ele e ficaremos livres, para sempre, dos difamadores e caluniadores. “Um pouquinho de tempo e o que há de vir virá e não tardará“.
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Fonte: José Teixeira Rego ( Artigos Históricos – Mensageiros da Paz – CPAD – Vol.2).

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