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A desumana Inquisição Católica

 

A desumana Inquisição Católica


por Artigo compilado - 07 DE DEZEMBRO DE 2020

Rastros de sofrimento e dor de verdadeiros cristãos que enfrentaram a forte intolerância religiosa da Igreja Católica Romana



Igreja caída tornou-se tão abertamente corrupta na Ida­de Média, que podemos entender porque, em muitos lugares, os homens se levantaram em protesto. Mui­tas almas nobres rejeitaram as falsas rei­vindicações do papa e, em lugar disso, olharam para o Senhor Jesus para terem salvação e verdade. Estes foram chama­dos “hereges” e perseguidos amargamen­te pela Igreja Católica Romana.

O desumano Ad exstirpanda, emitido pelo papa Inocêncio IV, em 1252 foi um dos documentos que ofi­cializou a perseguição. Este documen­to afirmava que os hereges deveriam ser “esmagados como serpentes vene­nosas”. Ele formalmente aprovou o uso da tortura. Autoridades civis foram or­denadas a queimar os hereges. “A an­tes mencionada Bula ‘Ad exstirpanda’ permaneceu daí em diante como um documento fundamental da Inquisição, renovado ou reforçado por vários pa­pas tais como Alexandre IV (1254-61), Clemente IV (1265-68), Nicolau IV (1288-92), Bonifácio VIII (1290-1303), e outros. As autoridades civis, portan­to, eram ordenadas pelos papas, sob pena de excomunhão, a executarem as sentenças que condenavam os he­reges impenitentes ao poste.

Devesse notar que a excomunhão em si mesma não era uma coisa sim­ples pois, se a pessoa excomungada não se livrasse da excomunhão dentro de um ano, passava a ser considerada herética, e incorria em todas as penali­dade que afetavam a heresia”. (The Catholic Encyclopedia, vol. 8, pág. 34)

Os homens ponderavam em como poderiam inventar métodos que pro­duzissem maior tortura e dor. Um dos mais populares era o uso da manje­doura, uma longa caixa na qual o acusado era amarrado pelas mãos e pés, de costas, e esticado por cordas e sari­lhos. Este processo deslocava as juntas e causava grande sofrimento.

Grandes torqueses eram usadas para arrancar as unhas e ferros aqueci­dos ao rubro eram aplicados em par­tes sensíveis do corpo. Muitos foram rolados sobre superfícies cheias de lâ­minas afiadas. Havia o parafuso de polegares para desarticular os dedos e “Botas Espanholas”, que eram usadas para esmagar as pernas e os pés. A “virgem de ferro” era um instrumento oco com o tamanho e a forma de uma mulher. Facas eram arrumadas de tal maneira e sobre tal pressão que o acu­sado era lacerado em seu abraço mor­tal. Este instrumento de tortura era ben­zido com “água benta” e inscrito com as palavras latinas que significavam “Glória seja dada somente a Deus”. (Homer W. Smith – Man and His Gods. Boston: Little, Brown, and Co, 1953)

Além de as vítimas terem suas rou­pas rasgadas, seus braços eram amar­rados atrás das costas com uma corda dura. Pesos eram postos em seus pés. A ação de uma roldana suspendia-os no ar ou deixava-os cair e levantava- os com violência deslocando as juntas do corpo. Enquanto tal tortura estava sendo empregada, sacerdotes susten­tando crucifixos tentavam levar os hereges à retratação.

História do Mundo de Ridpath inclui uma ilustração da Inquisição na Holanda. Vinte e um protestantes apare­cem pendurados em uma árvore. Um homem em uma escada está quase sen­do enforcado e, abaixo dele, está um padre segurando um crucifixo. (Ridpath ’s History of the World, vol. 5, pág. 304).

“No ano de 1554, Francis Gambá, um lombardo, da “persuasão protestan­te”, foi preso e condenado à morte pela sentença de Milão. No local da execu­ção, um monge apresentou um crucifi­xo a ele, para quem Gambá disse, “mi­nha mente está tão cheia dos verdadei­ros méritos e da verdadeira bondade de Cristo que não quero um pedaço de pau sem sentido para fazer-me pensar Nele”. Por causa dessa expressão sua língua foi arrancada e ele foi em segui­da queimado (Fox’s Book of Martyrs, pág. 103).

Alguns que rejeitaram os ensina­mentos da igreja romana tiveram chum­bo derretido derramado dentro dos ou­vidos e boca. Alguns foram forçados a pular de abismos para cima de paus-a-pique onde, estremecendo em dores, morriam lentamente. Outros eram su­focados até a morte, engolindo peda­ços retalhados dos seus próprios cor­pos, engolindo urina, ou excremento. À noite, as vítimas da Inquisição eram acorrentadas bem pregadas ao solo ou a parede onde eram presas indefesas de ratos e vermes que enchiam aquelas sangrentas câmaras de tortura.

A intolerância religiosa que inci­tou a Inquisição causou guerras en­volvendo cidades inteiras. Em 1209 a cidade de Beziers foi tomada por ho­mens que tinham recebido a promes­sa do papa que, entrando na cruzada contra os hereges, eles, ao morrerem, desviando-se do purgatório, entrariam imediatamente no céu. Reporta-se que sessenta mil pereceram pela espada enquanto o sangue fluía nas ruas. Em Lavaur, em 1211, um governador foi enforcado e a esposa lançada dentro de um poço e esmagada com pedras. Quatrocentas pessoas nesta cidade fo­ram queimadas vivas. Os cruzados as­sistiram à missa solene pela manhã, em seguida passaram a tomar outras cidades da área. Estima-se que cem mil albigenses (protestantes) caíram em um só dia. Seus corpos foram amontoados juntos e, em seguida, queimados.

No massacre de Merindol, quinhentas mu­lheres foram trancadas em um celeiro, ao qual atea­ram fogo. Se qualquer uma pulasse das janelas, seria recebida na ponta das lanças. Mulheres fo­ram ostensivamente e dolorosamente violentadas. Crianças foram assassina­das diante de seus pais, impotentes para protegê-las. Algumas pessoas eram lançadas de abismos ou arranca­vam suas roupas e arrastavam-nas pe­las ruas. Métodos semelhantes foram usados no massacre de Orange em 1562. O exército italiano foi enviado pelo papa Pio IV com ordem de matar homens, mulheres e crianças.

Dez mil huguenotes (protestantes) foram mortos no sangrento massacre em Paris no Dia de São Bartolomeu, em 1572. O rei francês foi à missa para agradecer o fato de tantos hereges terem sido mortos. A corte papal recebeu as novas com gran­de regozijo e papa Gregório XIII, com grande procissão, foi à Igreja de São Luis para agradecer! Ele ordenou que a casa da moeda papal fizesse moedas come­morando este acontecimento. As moedas mostraram um anjo com a espada numa mão e uma cruz na outra, diante de quem um grupo de huguenotes, com horror nas faces, estava fugindo. As palavras Ugonottorum Stranges 1572, que signifi­cam “A matança dos Huguenotes, 1572” aparecem nas moedas.

Uma ilustração do livro Ridpath ’s History of the World, mostra a obra da Inquisição na Holanda. Um protestan­te está pendurado pelos pés em um tronco. O fogo está aquecendo um fer­ro de marcar para marca-lo e cegar seus olhos. (Ridpath s History of the World, vol. 5, pág. 297).

Alguns dos papas, que hoje são aclamados como “grandes” pela igreja romanista, viveram e prosperaram ma­terialmente durante aqueles dias. Porquê eles não abriram as portas dos sub­terrâneos e apagaram os fogos assassi­nos que escureceram os céus da Euro­pa durante séculos? Se a venda de in­dulgências, ou pessoas adorando está­ tuas como ídolos, ou papas vivendo em imoralidade pode ser explicado como “abusos” ou desculpados, por­quê estas coisas eram feitas contrárias às leis oficiais da igreja? O que pode ser dito a respeito da Inquisição? Ela não pode ser explicada muito facilmen­te, pois embora algumas vezes a tortu­ra fosse levada além do que realmente era prescrito, o fato permanece que a Inquisição foi ordenada por decreto papal e confirmada papa após papa! Pode alguém acreditar que tais ações foram representativas Dele, que disse para darmos o outro lado da face, per­doar nossos inimigos, e fazer bem àqueles que nos desprezam?

A Inquisição no Brasil

Os professores da Universidade de São Paulo (USP), João Cruz Costa e Lourival Gomes Machado insistiam que, enquanto não se conhecesse a história dos cristãos brasileiros e da Inquisição, ninguém poderia escrever corretamente a história do Brasil, pecando por omissão, engano ou falta de conhecimen­to. Para explorar mais o assunto no dia 20 de maio de 1987 foi realizado o Pri­meiro Congresso Internacional sobre a Inquisição, na USP. A historiadora Anita Novinski, estimulada pelos dois professores, levantou pesquisa desven­dando documentos que comprovam o massacre de cristãos no país.

Os brasileiros condenados pelo “Santo Ofício” foram presos; suas famí­lias postas na rua; tiveram suas casas trancadas e foram embarcados para Por­tugal, onde ficaram nos cárceres da Inquisição, até serem julgados sem di­reito de defesa, sendo alguns condena­dos à fogueira. A lista, que ainda está sendo levantada pela historiadora, é enorme. Cerca de 500 brasileiros, a maioria crentes, passa­ram por este calvário. Em um trecho do artigo da doutora Anita, publicado no jornal O Estado de São Paulo, está o relato do massacre de brasileiros: “Os inquisidores, crentes que o corpo humano era residência do mal, desen­volveram todo o tipo de artifício criati­vo para chicoteá-lo, despedaçá-lo, esquartejá-lo, para esmagar os dedos e estourar os ventres dos fiéis.

Instaurado no Brasil logo depois da invasão holandesa na Bahia, que a igreja julgou trazer o seu rebanho na América, desvios da fé, dado ao pro­testantismo dos invasores, que chega­vam da Holanda, fugindo da persegui­ção católica naquele país. O Santo Tri­bunal fez mais de 500 vítimas em ape­nas 20 anos no Brasil. Há registros de 21 pessoas queimadas em praça públi­ca, meia centena que viveram grande parte de sua vida em calabouços, com seus bens confiscados. Este foi o gran­de alvo da Igreja Católica Romana. Fo­ram 300 anos de Inquisição”.

Grande parte dos condenados pelo Santo Ofício eram do Rio de Janeiro, mas há registros de condenados de todo o Brasil. Rios de sangue se derramaram em holocausto trazendo muita dor, des­truição e um prejuízo incalculável para a humanidade.

Bibliografia

– Babilônia Mistério Religioso antiguo y moderno – Ralph Woodrow Evangelistic. Association

– Riveside Calif. USA.

– The Catholic Encyclopedia

– Ridpaths History of Martyrs

– Fox’s Book of Martyrs

– Smith. Man and His Gods

– A Bíblia e o Catolicismo Romano

– Dreyer e Weler

– A Face Oculta do Catolicismo Ramano

– Pr. Sebastião Leone

FRANCISCO EURICO – FONTE: REVISTA FIEL ANO 1 – N°2

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