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Coordenador da campanha do PT em Feira dispara: pastores usaram argumentos de fechamento das igrejas a ameaça à liberdade religiosa; “pregaram para suas ovelhas que o “anti-cristo” não poderia ganhar a eleição’’

 

Deputado José Neto
O coordenador da campanha do (PT) em Feira de Santana, Robinson Almeida (PT) divulgou ontem (3) sua análise sobre as eleições na Princesa do Sertão. De acordo o deputado estadual, o processo eleitoral contou com o abuso da manipulação da fé, por parte do grupo adversário.

Segundo o derrotado, houve Abuso da manipulação da fé nos templos religiosos

Esperei passar o calor da eleição para colocar, em texto, minha reflexão sobre o que aconteceu nas eleições em Feira de Santana. Como coordenador geral da campanha e amigo-irmão de Zé Neto, sei muito bem o peso das minhas palavras. Serei fiel, como sempre, à minha percepção sobre os fatos.

No domingo 22/11, à noite, me enviaram um zap revelador sobre a estratégia do adversário. A voz de uma senhora indignada e apreensiva revelava o que ocorreu nos cultos daquele dia. Nas suas palavras: “Gente do grupo. Eu fui pra Igreja agora de noite, sinceramente, vim chateada. Porque o comentário que tá na Igreja é que o PT vai fechar as Igrejas, tudo. Então o pastor está jogando todo mundo contra o PT, quer que todo mundo vote em Colbert. Diz que o PT vai fechar as Igrejas, colocar mudança de sexo nas escolas. Estão botando pra lá…”

Acusações falsas contra o PT

Evento com evangélicos com a presença do goveerador Rui Costa

A utilização de acusações falsas contra o PT é uma prática antiga da direita. Agora, o antipetismo é instrumentalizado por parcelas de igrejas neopentecostais e seus pastores. Combinam-se o ódio e o medo, sentimentos instintivos, para manipular a fé de crédulos fiéis. A fórmula usada como argumento contra a esquerda é, além do fechamento das igrejas, também a ameaça à liberdade religiosa e atentado aos valores morais conservadores presentes na sociedade, como o estímulo à homossexualidade e o ensinamento de práticas sexuais para crianças nas escolas.
Pregação política eleitoral em favor de Colbert

Elege-se o inimigo e a guerra é para derrotá-lo. Sem nenhum debate sobre projetos para a população e para o município, esses pastores pregaram para suas ovelhas que o “anti-cristo” não poderia ganhar a eleição. Os cultos daquele domingo e durante a semana, em grande parte daquelas igrejas, deram lugar a uma pregação política eleitoral em favor de Colbert e contra Zé Neto. O bem e o mal, respectivamente, no maniqueísmo religioso neopentecostal.

Essa estratégia se desdobrou

Na segunda e terça-feira, 23 e 24/11, foram-me enviados vídeos de carros de som nos bairros populares de Feira com a mesma toada: “Sabemos que o 13 é totalmente a favor da cartilha gay nas escolas, é a favor do casamento homoafetivo, tudo que é de ruim o 13 apoia. Mas o 15, não. É a favor da família”, afirmava o locutor. As trevas do preconceito saíram de templos neopentecostais e ganharam as ruas de Feira de Santana.

Encontro de evangélicos com a presença dos deputados federais

Na quarta-feira, um grande encontro de evangélicos foi realizado com a presença dos deputados federais e pastores Marcos Feliciano (Pode-SP) e Abílio Santana (PL-BA) e do cantor gospel Marcos Antônio. O apoio a Colbert e o combate ao PT foram as razões desse deslocamento de lideranças evangélicas nacionais para Feira de Santana.

Pregação antipetista nos cultos

Para fechar o ciclo da estratégia pelo voto evangélico, foi colocado em prática o ataque à reputação do candidato. Da pregação antipetista nos cultos disfarçada de proteção da moral e dos bons costumes, à estratégia de comunicação de massa de ataque à reputação do adversário. Para completar, o encontro com lideranças de ponta do conservadorismo religioso, com o objetivo de nacionalizar o enfrentamento ao PT, à esquerda e aos seus candidatos.

Arrisco a afirmar, em breve digressão, que em maior ou menor intensidade, essa mesma fórmula foi utilizada em todo Brasil contra os candidatos de esquerda nesse segundo turno. Esse movimento, no subterrâneo da democracia, não captado pelos institutos de pesquisas, pode explicar a ascensão das candidaturas conservadoras no dia da eleição. Foi assim em Porto Alegre e Vitória ou mesmo em São Paulo e mesmo em Recife. Foi assim em Vitória da Conquista e Feira de Santana também.

O velho sistema diminuiu a segunda maior cidade da Bahia a um pequeno município, refém do clientelismo e do abuso do poder econômico.A manipulação de religião pra eleição e o aparelhamento criminoso da máquina pública explicam por que a mudança não chegou. Explicam, também, por que o medo e o ódio venceram a esperança e o amor nas eleições em Feira de Santana.

Robinson Almeida -deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores

Portal Cidade Gospel








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