Pular para o conteúdo principal

Rodrigo Constantino: Entre Macri e Trump

 

        Rodrigo Constantino: Entre Macri e Trump



Por Redação SP






Entre Macri e Trump

Rodrigo Constantino

Quais lições o presidentBolsonaro deve extrair das derrotas sofridas por Mauricio Macri na Argentina e Donald Trump nos Estados Unidos? Afinal, em ambos os casos um presidente associado à direita não foi capaz de se reeleger, permitindo a volta da esquerda ao poder. O que esses casos dizem sobre a realidade brasileira, sempre lembrando que cada país tem suas particularidades?

Em minha opinião, cada um deles errou por motivos diferentes, ou mesmo diametralmente opostos. Macri venceu com uma plataforma reformista liberal, tentou emplacar mudanças no começo, mas logo se viu diante da pressão do establishment e cedeu. No final de seu mandato ele já era quase um peronista, tendo até congelado preços. Ou seja, Macri aderiu totalmente ao establishment, e seu eleitor decidiu puni-lo. Se é para ter um populista irresponsável no comando, então que venha logo o original, não uma réplica malfeita.

Já Trump errou do outro lado extremo: achou que era capaz de declarar guerra ao establishment todo, contando apenas com o apoio popular. Seu slogan de campanha era “drenar o pântano” em Washington, e nesse processo Trump colocou inclusive muitos republicanos contra ele. A crença de que sobreviveria declarando guerra contra todos se mostrou otimista ou ilusória. O “deep state” se vingou do presidente.

Não se faz uma revolução em quatro anos, eis a dura verdade que os mais empolgados custam a aprender. Bolsonaro venceu com 57 milhões de votos, muitos dos quais antipetistas. A parcela mais militante, que o considera um “mito” e estará com ele até o fim não importa muito o que aconteça, não é a maioria. Esta quer resultados concretos. Seu governo precisa, então, entregá-los se quiser permanecer mais quatro anos.

É aqui que começam os problemas. Para tanto, ele precisa de governabilidade, já que tem de aprovar reformas estruturais. Como a reforma previdenciária passou, muitos acharam que era viável governar só com bancadas temáticas e pressão das ruas. Ledo engano. Isso sem falar do risco de impeachment, que os oportunistas sempre vão manter sobre a cabeça do presidente. Não tem milagre: Bolsonaro é refém do Congresso, ainda mais no modelo brasileiro, fragmentado.

O perigo é ele aderir demais da conta ao establishment em troca de governabilidade e blindagem. Nesse caso, ele estaria cometendo o erro de Macri, e muitos brasileiros ficariam decepcionados. Se é para isso, então eles podem pensar: qual diferença fazQue venha alguém como Michel Temer mesmo, ou então algum tucano que aceita jogar o jogo sujo. Bolsonaro precisa trazer uma ala do “centrão” para dentro do seu governo, sem deixar isso contaminar seu diferencial, sua posição patriótica e seu ministério técnico. É um desafio e tanto, mais uma arte do que uma ciência.

Ao mesmo tempo, ele tem que fazer isso sem perder sua militância mais aguerrida, que atua como única fonte de resistência diante dos ataques pérfidos e infindáveis da imprensa. É aqui que o lado Trump entra em ação: as brigas com jornalistas, as respostas duras e as “mitadas” fazem parte do repertório necessário para não afastar quem votou nele para isso mesmo, para detonar o establishment e a mídia corrupta.

O risco aqui é errar na mão, exagerar na dose, e com isso implodir muitas pontes e gerar antipatia nas “mães de subúrbio”, como aconteceu com TrumpBolsonaro já se mostrou irritado com críticos à direita, que chamou de “idiotas das redes sociais”, e postou uma imagem que ilustra bem sua visão: uma cidade na mira de uma gigantesca pedra, e ele como o herói que segura o pedregulho e impede a desgraça de todos. Até que os cidadãos passam a jogar pedras nele, o herói, que acaba então saindo da frente para que o pedregulho siga seu destino destruidor. Vão atacar Bolsonaro por picuinhas ou qualquer imperfeição? Então tudo bem, toma o PT de volta!

É a mensagem que o presidente quer transmitir, não sem alguma razão. Por outro lado, se ele se mostrar imune a qualquer crítica construtiva, que o traga de volta à realidade de sua vitória, acabará se afastando de sua base fiel de apoio, e ficará totalmente misturado ao establishment, será mais do mesmo. Nesse cenário, é como se ele fosse absorvido pelo pedregulho. Ou seja, a metáfora pode ser outra: Bolsonaro é a cidade que a pedra (establishment) quer destruir, e a única coisa que impede esse destino é sua base de apoio popular.

Não sabemos qual será o resultado disso. O que sabemos é que o establishment está cada vez mais ousado e determinado a derrubar Bolsonaro. A mídia perdeu qualquer pudor. Se o presidente não fizer concessões para sobreviver e avançar com algumas reformas, ainda que desidratadas, então ele dificilmente será reeleito. Por outro lado, se ele declarar guerra total a todos, como querem os mais fanáticos e jacobinos, ele não dura nem até o fim deste mandato. O segredo para Bolsonaro seguir adiante é adotar uma postura entre Macri e Trump, patinando em gelo fino, ciente de que alguns anéis terão de ser entregues para se preservar os dedos. E do lado de sua base de apoio será fundamental que os bolsonaristas entendam que não se faz uma revolução em quatro anos, e sem o Congresso ainda por cima.

Todos aqueles que temem a volta do PT e que rechaçam a ideia da volta dos tucanos deveriam ter isso em mente. Os destinos de Macri e Trump estão aí para servir como alerta.

Fonte: Diário de São Paulo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quem são os 7 pastores mais respeitados do Mundo; Saiba agora

Não é uma tarefa tão fácil escolher entre tantos o 7 pastores mais respeitados do Brasil. Com certeza alguém poderá ficar de fora, outra questão é escolher entre as tantas linhas religiosas que existem Não é uma tarefa tão fácil escolher entre tantos o 7 pastores mais respeitados do Brasil. Com certeza alguém poderá ficar de fora, outra questão é escolher entre as tantas linhas religiosas que existem. Outra pergunta é: Ele é tão bom, se é! Por que é? Ou é escolhido bom apenas pela sua fama? Muitas vezes o bom é aquele que contraria as multidões, mas o bom pode também estar entre as multidões, “Não devemos esquecer que por se tratar da Palavra de Deus, o discurso do pregador deve ser embasado nas Escrituras sempre” então fica ai minha dica e junto também uma de suas mensagem. No VÍDEO abaixo você vai conferir os nomes dos pastores que o Brasil inteiro conhece. São pastores de grandes ministérios que contem números altos de fieis sobre a presença de Deus. Hoje nas

Mais um que apoia o Partido das Trevas: Pastor Daniel Elias da Assembleia de Deus vira garoto propaganda do PT para atrair evangélicos

O pastor é uma das armas do PT para se infiltrar nas igrejas evangélicas Pastor Daniel Elias (Reprodução) A nova estratégia do PT (Partido dos Trabalhadores), para ter um melhor desempenho nas eleições municipais de 2020, é a aproximação dos evangélicos. A pedido do ex-presidente Lula, o partido está criando núcleos evangélicos nos estados para tentar conquistar a classe evangélica que já provou que pode fazer a diferença nas urnas. Uma das armas do PT para se infiltrar nas igrejas é o pastor da Assembleia de Deus de Duque de Caxias RJ, Daniel Elias. O líder religioso é militante do PT e discípulo fiel de Lula. Há um ano ele virou notícia em todo país quando viajou até Curitiba, no Paraná, para realizar um ato profético em favor do ex-presidente que estava preso na carceragem da Polícia Federal (PF). Daniel Elias, de 38 anos, ungiu o cadeado do portão da sede da PF. O pastor admite que a articulação enfrenta dificuldades.  “O grupo ligado à direita chegou primeiro

IRMÃ DULCE, SANTA? SERÁ? IRMÃ DULCE E O SEU LADO OBSCURO

IRMÃ DULCE E O SEU LADO OBSCURO Retrato de Irmã Dulce Deixar de reconhecer que a D. Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, filha de Augusto Lopes Pontes e de Dulce Maria de Souza Brito, conhecida mundialmente como Irmã Dulce, fez um trabalho filantrópico, sacrificial, e altruísta, é ser um ignorante, tendencioso e ingrato. Nascida em 26 de maio de 1914, na capital baiana, e falecida no dia 13 de março de 1992,  foi uma religiosa católica brasileira que dedicou a sua vida a ajudar os doentes e os mais necessitados. Foi beatificada pelo Papa Bento XVI, no dia 10 de dezembro de 2010, passando a ser reconhecida com o título de "Bem-aventurada Dulce dos Pobres". Será canonizada pelo Papa Francisco em uma celebração no Vaticano no dia 13 de outubro de 2019. Por ser muito jovem ela foi recusada pelo Convento de Santa Clara. Formou-se em professora primaria em 08 de fevereiro de 1932 e um ano após entrou para a Congregação Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição de D